sexta-feira, 20 de maio de 2016

No Dom Bosco, alunos têm contato com tablets a partir do 6º ano do ensino fundamental |


O desafio de usar a tecnologia a favor do ensino

Não basta usar computador e tablet em sala de aula. Professores devem estar capacitados para auxiliar e orientar alunos


Formação

Professores devem se preparar para encarar a realidade dos alunos
Modernizar a sala de aula não é sinônimo de modernizar o ensino. A simples introdução da tecnologia não muda a metodologia, defende a professora Glaucia Brito, da UFPR. “A tecnologia não constrói nada, é uma ferramenta. Quem faz a diferença é professor e aluno”, afirma.
Para preparar professores sobre como usar esses equipamentos, Glaucia coordena o Grupo de Estudos, Professor, Escola e Tecnologias (Gepete) na UFPR. O grupo reúne estudiosos e pesquisadores de diferentes instituições e níveis de ensino de Curitiba para discutirem as tecnologias, a formação dos professores e o seu uso na educação.
“Eles [os professores] cresceram em outros tempos, com tecnologias analógicas e não tiveram isso [tecnologia digital] na sua formação”, diz Glaucia. O grupo é convidado para dar palestras, montar oficinas e formações continuadas em escolas para que os professores integrem os novos recursos nas aulas.
No Dom Bosco, por exemplo, os professores passam por treinamento a cada seis meses. De acordo com o coordenador de Tecnologias, Raphael Corrêa, 90 objetos educacionais usados em sala de aula foram desenvolvidos pelos próprios professores. “O projeto [Dom Digital] evoluiu, mas ainda não está 100%. Estamos criando uma rede de aprendizagem, aplicativos para aulas. O caminho está sendo trilhado”, completa.
Não restam dúvidas sobre a intensa presença da tecnologia no dia a dia dos jovens – uma geração que já nasceu conectada com o mundo virtual – e os impactos que esse novo perfil de aluno traz ao ambiente escolar. Esse contexto lança o desafio para escolas e professores sobre como usar os novos recursos tecnológicos a favor do ensino. Lutar contra a presença deles não é mais visto como uma opção.
“Estamos no século 21, não tem como dar aula como se dava há 10 anos”, diz Glaucia Brito, professora do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em Tecnologia na Educação. Para ela, a escola está atrasada. Os jovens são outros e os professores precisam se transformar para seguir essa mudança.
O uso da tecnologia pode ser proveitoso no estudo interativo de conteúdos, tornando-os mais atraentes e fazendo com que o aluno adote uma postura mais participativa. No Colégio Dom Bosco, em Curitiba, tablets e netbooks são fornecidos aos alunos desde o 6.º ano do ensino fundamental. “A ideia é tentar falar a mesma linguagem [dos alunos]. Não adianta ser diferente em casa. Trabalhamos o uso responsável”, explica o professor de Física e coordenador de Tecnologias, Raphael Corrêa.
A escola trabalha de duas maneiras: recorre a objetos educacionais digitais, como vídeos, animações, imagens e infográficos, para dar suporte às aulas, e estimula a pesquisa dos alunos na internet, com a orientação do professor sobre como encontrar a informação desejada de forma segura e a partir de fontes confiáveis. Entretanto, não são só benefícios que os dispositivos móveis trazem. O colégio controla o uso quando a aula não necessita dos aparelhos e bloqueia o acesso às redes sociais, os principais vilões quando o assunto é distração.
“Tem professor que reclama que os alunos não prestam atenção, ficam só no celular. Mas, na minha época, por exemplo, nos distraíamos com gibi. A questão é como está a aula do professor”, avalia Glaucia, que defende ser possível dar uma aula de qualidade e atraente mesmo sem usar aparatos modernos.
Envolvimento
No Colégio Sion, a tecnologia é mais usada pelos professores, embora os alunos também usufruam em determinados momentos. Para a coordenadora do ensino médio, Cinthia Reneaux, é preciso fazer com que o estudante participe do processo, saiba contar o que aprendeu. “Para não ficar muito no virtual, fazemos muitos seminários, debates e pesquisas. Tentamos resgatar o diálogo, a conversa e discussão entre eles”, explica Cinthia, citando o formato semicircular na disposição das carteiras nas salas para facilitar o método.
BRUGNOLO, Brunno. O desafio de usar a tecnologia a favor do ensino. 2014. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-desafio-de-usar-a-tecnologia-a-favor-do-ensino-ealmosyp83vcnzak775day3bi>. Acesso em: 20 maio 2016.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O blog como forma de registro dos avanços na Educação Infantil


Nesta semana, trazemos um relato feito pelo professor José Rosemberg Sant’Ana. Ele atua na rede municipal de São Paulo, dá aula para crianças de 4 e 5 anos e está sempre buscando formas relevantes de levar a tecnologia para a sala de aula. No ano passado, um projeto realizado por ele foi caso de uma reportagem da revista GESTÃO ESCOLAR sobre o uso do celular na escola (leia aqui). Na experiência, os alunos usaram o celular para tirar foto dos animais do zoológico e pesquisar, na internet, informações sobre eles. Gostamos tanto da proposta dele que o convidamos para compartilhar outra prática com vocês. Confira abaixo:
“Vemos que alguns desafios se impõem à Educação em geral e à Educação Infantil em particular. Duas delas são: trazer os pais para acompanharem a rotina das crianças, compreendendo as dimensões do trabalho nesse segmento, e estimular que os registros escolares sejam feitos da perspectiva mais dos pequenos do que dos professores.
Foi pensando nisso que eu e minha colega, Tatiana Monteiro Raquel, que somos professores de duas classes do Infantil II da EMEI Mitsutani, no bairro de Campo Limpo, em São Paulo, organizamos um blog conjunto das turmas, como uma experiência piloto na unidade.
A ideia é que por meio dele, as famílias possam acompanhar uma boa mostra das atividades desenvolvidas, organizadas em projetos e sequências didáticas. Entendemos que, assim, a escola, que é uma instituição pública, garante uma prestação de conta mais qualificada, do que a que ocorre tradicionalmente: com quatro reuniões anuais e uma mostra cultural. Com o blog, o acompanhamento é semanal…
Já para nos distanciar da prática de fazer os registros com o nosso olhar (uma prática que chamamos de adultocêntrica), estamos, aos poucos, disponibilizando celulares e câmeras digitais às crianças. Dessa forma, os registros na linguagem visual – fotos e vídeos – são feitos a partir de sua perspectiva e visão de mundo e elas passam a ser sujeitos da aprendizagem, com voz e com vez.
Depois de dois meses de iniciado esse projeto, percebemos que os pais têm, cada vez mais, acompanhado o trabalho. Já as crianças estão ligadas mais intimamente à necessidade de registrar! Quando esquecemos de entregar a máquina, elas mesmas vêm à procura. Claro que ainda não é uma atitude geral e disseminada, mas tem aumentado nas crianças esse interesse. Na última reunião de pais que fizemos, os adultos confessaram que ainda não estão comentando os posts porque ainda não estão tão familiarizados com esse meio (internet). Por isso, utilizei a rede móvel do meu celular – já que nas EMEIs da prefeitura não dispomos de wi-fi – para que pudéssemos navegar junto com eles e mostrar onde podem encontrar os relatos, as fotografias, vídeos, recados e onde podem fazer comentários.
Ao revisitar o blog para escrever esse relato, percebemos também a curiosidade de outros professores da rede pública, que deixaram diversos comentários. Assim, “sem querer”, atingimos um terceiro objetivo: o de “publicar práticas para que outros se apropriem e recriem”, como ressaltou a responsável pelo setor de Informações Gerenciais da Diretoria Regional de Ensino, Cristina Barroco Massei Fernandes. Nada mais natural em uma dinâmica pedagógica do século 21 pautada no trabalho colaborativo e na aprendizagem com base em outras experiências.
Referência: SHUTTERSTOCK. O blog como forma de registro dos avanços na Educação Infantil. 2016. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/blogs/tecnologia-educacao/2016/05/03/o-blog-como-forma-de-registro-dos-avancos-na-educacao-infantil/>. Acesso em: 03 maio 2016.